A genialidade duvida enquanto a mediocridade tem certeza

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Maryana com Y 🏳️‍🌈
Especialista em Bom humor e Felicidade | Linkedin Creator | TEDx Speaker | Palestrante e treinadora | Coautora do Best Seller "SOFT SKILLS"e “BALANCED SKILLS”

Tempos difícies meus caros colegas, tem muita gente vazia cheia de certeza

Hoje eu quero falar diretamente com as minhas colegas mulheres. Executivas, líderes, fundadoras, profissionais brilhantes que, por fora, parecem bem-sucedidas, mas que, por dentro, vivem uma sensação estranha de cansaço. Não é cansaço de trabalhar. Não é falta de resultado. Muitas vezes, é o desgaste de sustentar uma versão de si mesmas que já não representa quem realmente são.

Quero começar com um dado que talvez você já tenha ouvido, mas que poucas pessoas realmente param para refletir. Um artigo clássico da Harvard Business Review, mostra que homens se candidatam a vagas quando atendem cerca de 60% dos requisitos, enquanto mulheres tendem a se candidatar apenas quando sentem que cumprem quase todos. Ou seja, não é que eles estejam mais preparados. Eles apenas são mais confiantes. Esse padrão foi reforçado por pesquisas e análises comportamentais da própria Harvard Business School, que discutem como a autoconfiança influencia a trajetória de liderança feminina e como a dúvida excessiva impede muitas profissionais de avançarem.

Esse ponto se conecta com um fenômeno psicológico amplamente estudado, conhecido como efeito Dunning-Kruger. Desde 1999, pesquisas mostram que pessoas com menor domínio de um tema tendem a superestimar a própria capacidade, enquanto profissionais altamente competentes subestimam suas habilidades. O que deveria ser um sinal de inteligência se transforma em atraso de movimento. E, quando isso encontra o condicionamento social feminino de agradar, evitar erro e buscar aceitação, nasce uma forma sofisticada de auto-sabotagem.

Mas aqui está a parte incômoda que raramente é dita em voz alta. A maioria das mulheres não quer sair da empresa, quer sair da versão de si mesma que se perdeu ali. A versão que suaviza a própria opinião, que pede desculpas antes de falar, que espera validação antes de agir e que negocia presença para manter pertencimento. Isso não é fraqueza, é uma adaptação silenciosa, e o problema é que adaptação constante vira identidade, e passamos acreditar mais nela do que na nossa versão original

Brené Brown descreve essa dinâmica como o uso de armaduras emocionais para evitar julgamento e rejeição, o que começa como estratégia de sobrevivência se transforma em performance contínua. E performance cansa, em diversos casos, o que está por trás é um esgotamento de identidade.

A teoria da autodeterminação, desenvolvida por Edward Deci e Richard Ryan, explica que seres humanos precisam de autonomia, competência e pertencimento para manter motivação sustentável. Quando a identidade profissional exige adaptação constante para manter aceitação social, o cérebro entra em conflito. A neurociência social demonstra que a rejeição ativa áreas cerebrais associadas à dor física. Por isso, biologicamente, ser autêntica pode parecer mais ameaçador do que permanecer em um lugar que já não faz sentido.

O sistema nervoso prefere previsibilidade à verdade.

É nesse ponto que a auto-sabotagem se instala. Não como falta de disciplina, mas como um mecanismo de proteção. Enquanto mulheres brilhantes revisam mais, ajustam mais e esperam mais, homens menos preparados avançam com convicção. Não porque sejam melhores, mas porque foram socializados para errar em público.

Talvez, por isso, o próximo nível da sua carreira não seja mais informação, mais cursos ou mais certificações. Talvez seja algo mais radical e mais silencioso: coerência. Porque você não quer sair da empresa. Você quer sair da versão de você que se perdeu ali.

Propósito não é descobrir algo novo. É parar de negociar quem você já é.

Com as minhas mentoradas a pergunta que mais faço é: qual parte foi silenciada para chegar até aqui?

E, muitas vezes, a virada começa quando você percebe que o maior risco não é falhar. É continuar sendo recompensada por uma versão que já não faz sentido.

Se esse texto te provocou, talvez você esteja mais perto de uma mudança do que imagina.

Com humor,

Mary

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