Eu te desejo menos - Como fazer menos sem se sentir menos ambicioso
Maryana com Y 🏳️🌈
Especialista em Bom humor e Felicidade | Linkedin Creator | TEDx Speaker | Palestrante e treinadora | Coautora do Best Seller "SOFT SKILLS"e “BALANCED SKILLS”
Peguei um livro dias atrás e percebi que estava sem vontade de ler, logo eu uma apaixonada por leitura, forcei a leitura e não adiantou não consegui, alguns dias depois a mesma coisa. Isso me fez parar para refletir … será que tinha perdido a paixão por ler? E cheguei a conclusão que estava cheia, com muita informação, essa sede por saber mais me cansou.
Durante décadas, fomos treinados a acreditar que mais informação significava mais poder mas o próprio criador dessa lógica ajudou a desmontá-la, o economista e psicólogo Herbert Simon já alertava, nos anos 1970, que “uma abundância de informação cria uma escassez de atenção” a ideia apresentada em Designing Organizations for an Information-Rich World (1971)
Ou seja: o problema não é falta de capacidade.É excesso de estímulo competindo pelo mesmo cérebro.
A atenção humana é limitada, mensurável e facilmente fragmentada., estudos clássicos sobre interrupção no trabalho mostram que, após uma distração, levamos em média 23 minutos para recuperar o foco original cada notificação “inofensiva” cobra juros cognitivos, no fim do dia, o corpo está cansado e a mente, barulhenta.
Multitarefa não é habilidade. É ilusão.
Pesquisas publicadas na Proceedings of the National Academy of Sciences mostraram que pessoas que se consideram boas em multitarefa digital, na verdade, apresentam pior controle atencional e maior dificuldade de filtrar estímulos irrelevantes, o cérebro não alterna tarefas sem custo, ele paga em energia, qualidade de decisão e presença, isso ajuda a explicar por que tanta gente vive ocupada, responde tudo rápido, mas sente que não decide nada importante.A urgência constante é uma construção social, não um dado da realidade.
O filósofo Byung-Chul Han descreve esse cenário como a sociedade do desempenho, onde o sujeito se explora sozinho em nome da produtividade, da visibilidade e da disponibilidade permanente.
Em A Sociedade do Cansaço, ele mostra como a pressão deixou de ser externa e virou interna, não é mais alguém que cobra, é você que não consegue desligar e nesse ambiente, tudo parece urgente, tudo pede resposta, tudo exige opinião.O resultado não é eficiência, é exaustão emocional disfarçada de comprometimento.
Além disso, o fenômeno conhecido como paradoxo da escolha, que trago em algumas palestras, revela que muitas opções geram mais ansiedade, menos ação e maior arrependimento, ou seja, mais caminhos não significam mais liberdade, significam mais confusão para sua cabecinha.
Então decidi por esses dias, ler menos, me exigir menos, ter menos, fazer menos, planejar menos e por isso te desejo menos!
Bora lá, mudar algumas coisinhas? Cortar reuniões, silenciar notificações, filtrar relações, reduzir estímulos e estabelecer limites não é preguiça nem falta de ambição, pois isso que me dava medo de parar, achar que eu estava andando para trás, e entendi que é maturidade emocional, quando estamos decidindo com consciência.
Aprendi nesse tempo que menos vira espaço, o espaço vira critério e o bendito do critério …. vira direção.
E é aqui que a conversa começa, pois vejo nas minhas palestras e treinamentos de times que a maioria das pessoas que me procura não quer mais conteúdo, mais método ou mais um framework para empilhar.
Quer menos confusão interna.
Quer parar de viver apagando incêndio emocional, quer decidir com mais leveza, sem culpa, sem urgência inventada, sem se trair no processo.Minhas palestras e mentorias não serão mais sobre fazer mais e sim sobre cortar melhor.
Se você sente que está ocupado demais para pensar, disponível demais para os outros e ausente demais de si, talvez não te falte disciplina.
Talvez te falte um “nada” estratégico.E Se precisa dele, me chame.
Com humor,
Mary


